O navegar das águas: rios da Amazônia, cultura viva e caminho da madeira

Artigo publicado em: 19 de mai. de 2025
O navegar das águas: rios da Amazônia, cultura viva e caminho da madeira

A vida nos rios: o navegar das águas e a Amazônia em movimento.
No estado que abriga um dos maiores rios do planeta, a vida pulsa no compasso da água. Pequenos barcos deslizam pelas margens transportando famílias, alimentos e mercadorias essenciais, enquanto grandes embarcações conhecidas como recreios funcionam como barcos-hotel, conectando cidades e vilarejos em viagens que duram dias. O transporte da madeira regenerada que usamos na OMAMA também depende dos rios amazônicos. Espécies nobres, cuidadosamente selecionadas, percorrem longas distâncias entre terra e água. Em regiões remotas, onde não há estradas, o barco é a única via possível.

Mas os rios da Amazônia não são apenas meios de transporte. Eles são palco de um ecossistema vibrante e único no mundo. Em certos trechos do Amazonas, peixes como o tambaqui se alimentam de frutas que caem das árvores. Sim, frutas. Acima da água, galhos. Abaixo, cardápios flutuantes.

E se os peixes voam, os barcos atravessam a história. Durante o ciclo da borracha, no início do século XX, os rios da floresta fervilhavam. Em 1910, o Porto de Manaus movimentava cerca de 1 milhão de toneladas por ano, o equivalente a mais de 130 barcos por dia. Se alinhados, proa com popa, esses barcos formariam uma fila fluvial de mais de 3 quilômetros de comprimento, todos levando o chamado “ouro branco” da floresta rumo aos centros industriais do mundo.

Esse fluxo de riqueza transformou a cidade. Manaus passou a ser conhecida como a Paris dos Trópicos e não apenas por vaidade. A cidade foi pioneira em infraestrutura. Em 1896, adotou iluminação pública elétrica antes mesmo de capitais brasileiras como São Paulo (1905) e Rio de Janeiro (1906). O Teatro Amazonas foi inaugurado com pompa europeia. A modernidade parecia ter ancorado no coração da floresta.

Hoje, a surpresa vem de outro tipo de encontro, o das águas. Em Manaus, os rios Negro e Solimões correm lado a lado por quilômetros sem se misturar. O Negro é escuro, ácido e quente. O Solimões é barrento, frio e veloz. A diferença de densidade, temperatura e corrente cria um fenômeno natural raro e um símbolo poderoso da diversidade amazônica, um verdadeiro espetáculo da floresta viva.

Na OMAMA, esse contraste nos inspira. Assim como no Encontro das Águas, unimos forças distintas: tradição e inovação, natureza e design, floresta e futuro. De cada design artesanal nasce um equilíbrio entre a força da madeira e a delicadeza das mãos que a moldam. Dependemos do rio, assim como tantas comunidades amazônicas, para que essa transformação aconteça.

 

Artigo publicado em: 19 de mai. de 2025