Três anos se passaram entre a ideia e o caos de uma noite de estreia.
O Farrapo, restaurante boêmio do centrão manauara, nasceu devagar. Tomou seu tempo entre as incursões digitais de seus criadores, num canal de gastronomia e humor no Instagram. Ganhou corpo nos eventos pop-up que a trupe passou a realizar em bares e restaurantes da cidade; virou nome entre goles e risadas, num after perdido madrugada adentro; e, finalmente, ganhou endereço nesta casa quase de esquina, na rua Costa Azevedo, 147, que teria passado batida, não fosse o fantasma plantado na varanda.
A ideia era clara (embora nada nova): ingredientes locais com tratamento e técnicas do mundo afora. Amazônia como ponto de partida, não de chegada. Menos Raízes Caboclas, mais Kurt Sutil.
No ambiente, as ruínas de Paricatuba foram a inspiração: um edifício sob a ameaça do selvagem. No cardápio, o oposto: coentro na thermomix.
No dia da abertura, 2 de maio de 2025, a casa já tinha clientes enquanto o cardápio era impresso numa mesa de canto. A energia da rua inteira foi embora com o estouro do transformador. Duas horas no escuro.
Esquece o software PDV mobile e procura aquele lápis na mochila; se não tem fritadeira elétrica, vai de panela na boca do queimador; e o shaker do bartender nunca teve nada a ver com isso.
O único problema incontornável da noite foi o calor e não teve jeito: o salão invadiu a rua. Poucos se foram de vez; a maioria esperou por ali, com alguns comes, bebes e a boa e velha conversa fiada.
A luz voltou e, com ela, uma rodada por conta da casa para todos os sobreviventes.
Desde aquela noite, o Farrapo segue tentando conquistar seu espaço, num momento de resgate das raízes boêmias do Centro de Manaus, na biqueira de um de seus maiores ícones, o Teatro Amazonas, e o entorno do Largo de São Sebastião.
Em pouco tempo, conquistou o prêmio de melhor bar do Norte, pela revista Prazeres da Mesa; abrigou eventos com alguns dos melhores chefs e mixologistas da região; e, em menos de um ano, já está no terceiro cardápio, sempre experimentando e propondo experiências.
"Mas e o fantasma plantado na varanda?", você poderia perguntar.
Devolvo a pergunta a você, caro leitor:E o fantasma plantado na varanda?
Daniel Valentim MansurProvador oficial da casa
Se histórias assim te atravessam como atravessam a gente, vale continuar por perto.É da Amazônia - e de tudo que nasce dela - que seguimos criando na OMAMA.
Quando o morar cria raízes e tendência vira herança.
Respeitada no mercado há mais de 30 anos, a galeria Herança Cultural é considerada um respeitado reduto do design high-end a partir de peças-ícone do modernismo brasileiro.
Uma extensa coleção vintage, assinada por nomes como Sergio Rodrigues, Geraldo de Barros e Lina Bo Bardi, além de fortes marcas do design contemporâneo, compõem esse espaço que é um convite à história do fazer autoral do país. Um verdadeiro legado, passado de geração a geração.
Esse foi o ponto de partida que uniu OMAMA x HERANÇA CULTURAL: enxergar o valor do tempo como principal capital de troca.
Abrimos o calendário de 2026 com essa parceria. Uma coleção cápsula, que conta com duas linhas de peças exclusivas para a galeria, Eixo e Buriti, desenvolvidas em 5 espécies de madeira da Amazônia.
A matéria-prima, assim como todos os produtos OMAMA, é tratada com absoluto respeito e cuidado pelas mãos de mestres artesãos da comunidade local de Manaus, fruto de um minucioso trabalho de manejo florestal sustentável.
O longo ciclo de vida do produto também ocupa lugar de destaque na cadeia sustentável. A casa autêntica não segue tendências efêmeras, pelo contrário, atravessa o tempo sem perder a originalidade.
Entendendo esse ecossistema favorável, grandes marcas de moda e de design têm apostado fortemente no mercado de "arte da mesa" e acessórios de alto impacto visual. Grandes maisons de moda, como Dior, Gucci, Hermès e a brasileira Trousseau, viram a mesa como um importante filão de mercado.
Peças que saem do lugar-comum e ganham status de coleção, combinando matéria-prima nobre, design autoral e edição limitada.
A arte de criar atmosferas afetuosas que trazem a natureza para espaços internos evidencia laços familiares, cria memória afetiva e executa uma infinidade de funções "a rigor do humor". Estilo, bom gosto e valor de herança. E, mais importante, tudo isso com a floresta em pé.
Confira em: herancacultural.com e omama.design
Ricardo GaiosoCurador e diretor criativo de design